domingo, junho 22, 2008

Paro e penso
relembro os momentos em que
nossas melodias se confundiam.
Agora, o que há nunca houve
nunca pensamos haver.
O tempo é que é absoluto
e a vida não segue estática...
Ela segue como um rio, segue
pras suas afluências
Até as melodias [perpetuadas em nós]
continuam se confundindo
embora em outros tons,
outros toques.
Sei de fato da função absoluta do tempo,
bem como sei do fim das coisas...
Portanto em mim
guardarei reticências para outros
e para nós, o ponto final.

.
.
.

sábado, junho 21, 2008

O pássaro.

O pássaro desampara-se em seu vôo
quer esquecer as asas
subir do nada até o vazio onde
será matéria e feito luz

deita-se no sol
é o que não é ainda
igual ao sonho de que vem
e não sai
traça com morte a curva do amor
vai.

da consciência ao mundo
encandeia-se
aos trabalhos de sua vez, extrai
a dor da dor, extrai
a dor da dor, desenha

seu delírio claro
de olhos abertos
canta de incompletude.



Extraído de "Incompletamente", de Juan Gelman,
transcrição de Haroldo de Campos.

terça-feira, abril 29, 2008

nua
morena dei-te um beijo.
embaralha tuas pernas às minhas?
no encaixe
clave, chave
a[sa]zeviche.
no pescoço, há apenas
o doce da tua boca.
Por quê te ocupas em abrir meus poros?
Saltam das gargantas gemidos.
Os sussuros soam poesia.

terça-feira, abril 22, 2008

Passarinho

delicadeza
em pedacinho.

quinta-feira, abril 03, 2008

É fato.

O tempo interfere em tudo
e fere
soando mudo.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Movimento irreversível.

Atirou-se no precipício
para não partir do princípio.

Difícil tarefa esta.
Voltar atrás.

quinta-feira, dezembro 06, 2007


"I´m not trying to be someone i´m not".

segunda-feira, novembro 26, 2007

Solunar.

O ponteiro marca quase meia-noite,
o tic-tac inquietante martela pensamentos.
É uma agonia opaca, as noites deixam de cintilar
e torna em dor o adormecer diário.
As pálpebras pesam no colo da angústia.
Cansada... É preciso ver a vida amanhã.

quinta-feira, novembro 15, 2007

"A felicidade é uma arma quente..."

Tenho realmente andado triste. Triste por coisas que aconteceram, por coisas que não aconteceram. Devo estar me sentindo triste por haver poucas surpresas[na verdade elas não existem]... Faz muito tempo que não vejo, leio ou ouço algo que me emocione. Digo emocionar de verdade. Coração na boca, mãos suadas, voz trêmula. E choro...
Choro por não me emocionar, por não provar das sensações de outros sabores, de outras surpresas e me sinto só. Mas não é uma solidão que sempre tive, é uma solidão acompanhada.
Me sinto só, acompanhada pela cruz que carrego, pelos caminhos escolhidos e pelas escolhas. Sinto que já não consigo suportar, carregar minhas próprias dores.
E choro, por já não acreditar tanto em mim, nos outros. Pela minha fé que está esquecida em algum compartimento da memória. Choro por já não conseguir mais sair destroçada de um filme com enredo triste, por de propósito desperceber toda alma que existe nas músicas que ouço.
Me choro por me faltarem reticências cotidianas e por não querer perceber que o mundo é uma paisagem sonora harmoniosa e possível... E tudo isso, em troca de levar uma overdose de realidade. Um tapa do mundo de verdade.
E tudo que me resta agora são algumas certezas, que por mais que soem tão cruéis aos meus ouvidos [e aos de outrem] são evidências.
Fico então com o grito preso no cárcere dos meus pensamentos e um nó na garganta.

quinta-feira, setembro 06, 2007

LAST BLUES

"Não espalho.
Mas ando triste pra caralho".

sexta-feira, maio 11, 2007

Não sei onde vou chegar
com essa minha poesia inútil
Não sei onde vou chegar
com essa minha poesia oca.
Vazia de mundo
Vazia de mim.
Posso desconstruir
Posso transgredir
Mas, sou assim como me vês
vã e oca.
Perdida numa vida secreta
feita disso.
De poesia, pão e pedra
que o diabo atirou.

sexta-feira, março 30, 2007


...Amor em conta-gotas até transbordar esse mar profundo... Nós não somos semente mesmo.
Ou até somos, uma semente que tem mesmo que brotar porque não cabe em si de tudo o que há...

segunda-feira, março 19, 2007

E eu me perco nesses olhos cheios de destino.
Vista a fresta da porta
[observando].
A simplicidade de tudo que é definitivo.

A sutileza de um passo firme pelo mundo.
O vento que arrasta as lembranças
é o mesmo que leva ao reencontro.
Assim desse jeito, não de outro.
Destino leve!Leve como pluma!

Leve tudo pro pra sempre que me ri.

segunda-feira, março 12, 2007

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Sente esse cheirinho de azul?
Esse cheiro bom de braços abertos?

Avó não deveria morrer nunca. Principalmente quando compartilha conosco de momentos tão únicos. Quando ensina pra gente que não há porque perder tempo brigando, proibindo ou competindo. Pra quê fazer isso se o que poderia estar sendo feito eram as permissões, a partilha, as confidências...?
Os momentos com a avó são únicos. A comida gostosa, o cabelo cheiroso, a risada engraçada e todos os trejeitos devidamente guardados na memória. E o que me resta é a consciência tranquila do amor gratuito. Sem cobranças.
É desse amor que se sente falta a vida toda. E essa mesma vida, há de ter arrebatado um corpo para o desconhecido mas, de mim não arranca as boas lembranças de amor bom, nem as bênçãos tomadas e nem o olhar terno. Isso não.
Prestes a completar seis anos de uma ausência tão presente fico a imaginar o tanto de tudo que poderíamos estar fazendo juntas. O muito a dizer.
Queria mesmo era uma fórmula pra fazer entender que a morte é processo irreversível e o que se pode fazer é viver, apesar de tudo.
É acontecimento dolorido que leva pra longe um pedacinho da alma de quem fica.
É uma saudade que não tem fim nem começo. É o momento em que queria as asas dos sonhos inexplicáveis e ir ao encontro daquele cheiro que tanto faz falta.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

E a palavra não me deixa em paz...


Palavra que


reverbera verbo

médio


Verbo que

reverbera palavra

grave.


Solidez do som

Solidão da palavra

[e do verbo]

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Lá estava eu perdida. Na mão, como que de posse,
apenas a esperança e uma rosa-dos-ventos cheia de perfume.
No caminho, vergonha dos pés. Estavam sujos e mal cheirosos.
Queria ter um catavento, faz calor. E me vou. No meio da estrada um ancião.
A resposta foi certa: "Atrás de mim? Estou tão perdida quando você."
Decerto, não há mal algum em não saber pra onde se vai.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Nadinha.

Abri os olhos e...

[puxei a cortina do céu]
[amanheceu]

vi a vida.

domingo, janeiro 28, 2007


No nosso jardim,

grama, céu, sol, estrela
Lua cheia

permuta, troca, cópula
Na nossa cozinha

café, avelã
No nosso quarto

nada de teoria vã
No nosso quintal

flores, folhas e espaço
E seguimos assim no contrário

passo a passo

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Minutos antes de madrugadecer
Pensei em te fazer uns versos
Versos assim, coloridos.
Pra ti, por ti. Por ser
minha única teoria válida.

Peço a ti, que anote
Num caderno ou na agenda
que nunca esqueça de ter por mim
Amor. Para que eu não pereça
E nem me torne coisa perecível.
Quero ser contigo, coisa
que não acaba.

Por agregares em ti, todas as notas
de toda suavidade sonora
dedico a ti, minhas não-rimas pobres.
E se algum dia te esqueceres
Lembra de algum pássaro que canta.
Lembra do pássaro sem asas.
Mas, que sempre que quer
Voa alto pra te encontrar.